O que dizem os teus olhos


Há um dia e meio a minha pessoa-gato, que é a minha gatinha Kika adoeceu, ainda não sei ao certo o que ela tem, se um vírus ou uma bactéria, está a ser tratada na clínica veterinária e hoje estou especialmente triste pelo motivo que acabei de mencionar.
É muito difícil lidarmos com os animais, porque somos tão verbais que perdemos um pouco a sensibilidade para perceber quando o seu animal, que não fala, sofre em silêncio. Ele pode miar, no caso dos gatos, ou expressar outro som qualquer que nos chame a atenção para nos dizer que não estão bem. E seria tão mais fácil que houvesse outra forma com a qual eles pudessem comunicar para que percebessemos que eles não estão bem, só que existem coisas silenciosas e as doenças são assim, chegam sem razão nenhuma e vão a muito custo embora, deixando-nos debilitados e a cada batalha vencida uma vitória a custo da saúde. Ontem, percebi que a minha bichinha não estava nada bem, embora já estivesse medicada e já tivesse sido vista pelo veterinário. Ao chegar em casa, estava ela com febre (mas, eu não sabia exatamente) porque está sempre tão quentinha então fiquei-me por ali, trouxe-a para junto de mim na cozinha, deitei-a na caminha junto ao aquecedor e ela ali ficou, dei-lhe os medicamentos que não surtiram qualquer efeito e só esperei a noite toda porque tinha esperança que ela melhorasse. Se os seus olhos pudessem me dizer algo, diriam: - Mamãe! Estou dodói, não vês que estou mais quente do que o normal? Ela sentiu sede e bebeu pouquinho. Não comeu. Se eu percebesse melhor o que diziam os seus olhos, porque ela estava sempre a comunicar comigo, diziam eles: - Que água tão fresquinha! Estava a precisar mesmo. Mas, não tenho forças para ir a casinha, então deixo-me ficar pela caminha que está fofinha e quentinha. E aquelas "bolinhas" (ração) que trouxeste estava com um cheiro delicioso, que eu conheço e gosto tanto, mas dói-me tanto as patinhas que nem consigo levantar-me para comer mamãe, desculpa!
Os seus olhinhos cor de âmbar, passaram o tempo todo a me dizer que ela estava fraquinha, sobretudo quando lhe pus deitada nos meus braços e embora visse algo, não sabia o quê, estava a levar a alegria da minha pequenininha, a minha bichana tão esperta e miadeira, tão curiosa e cheia de personalidade. Ficou apática durante todo o tempo, fazia-lhe um carinho nas costinhas e ela abanava a cauda, assim podia me dizer que estava a gostar do carinho que era para eu continuar o miminho. Por vezes, enquanto lhe mexia, agarrava-me o dedo e fazia alguma força como se quisesse brincar, mas não podia, estava demasiado fraca, estava sempre a se desculpar por não estar tão disposta para brincar.
Eram 5:30hs da manhã e eu saltei da cama porque passei a noite inteira a acordar e a levantar a cabeça para olhar para o local onde ela estava e como já era a 3ª vez e percebi que não se mexeu, fui ver como estava. O meu coração disparou enquanto acariciava o seu pêlo baço e gorduroso, por ter deixado de tomar o seu banhinho diário, por não ter forças para isso. Por fim, abriu os olhinhos tristes e febris, o que me deu algum alívio por perceber que ainda estava viva, porque a sua respiração era fraquinha e eu não lhe podia soprar o ar, nem lhe tirar a dor, apenas lhe proporcionar algum conforto enquanto dava a hora de voltar ao veterinário.
Agora a minha pessoinha-gatinha está a ser acompanhada de perto pelo médico, toma soro, comeu alguma coisa, não sei o resultado das análises, não sei o motivo da sua febre, ainda não sei...só sei que quero aquela alegria inocente correndo pela casa novamente, quero aqueles olhos espertos e pêlo macio que me dava turrinhas para retribuir uma escovadela nas costinhas, quero aquela elegância no andar e esticar os músculos como se mostrasse - Olha que linda que eu sou, Mamãe! Já viste como sou grande? Quero aquele "motorzinho" de satisfação ligado quando está perto de nós e a sua solidão é completamente dissipada, porque ela sabe que nós nunca deixaremos de amá-la, assim como ela dedicou o seu amor para nós desde o momento que fomos adotá-la ao gatil. Mais gratos pela sua presença em nossas vidas somos nós, porque a Kika tornou os nossos dias mais coloridos e tirou o preto e branco das nossas vidas com a sua expectativa diária pelo reencontro conosco.
Tenho os olhos lacrimejados e cheios de tristeza pelo medo que tenho de perder esse amor tão puro e incondicional.
Desculpem Be.auties! Sei que no mundo existem problemas muito piores, não é disso que se trata. Apenas, no meu mundo e da minha gatinha, somos um pequena família e é difícil saber que sofrem.

P.S.: 1ª foto tirada da Kika, quando chegou em nossa casa. 09/10/2009.

2 comentários:

Life&Style disse...

Como está a Kika?
Espero que já tenho recuperado totalmente!
Uma festinha para ela :)

Clênia Daniel disse...

Ela estah melhorando aos poucos, obrigada minha linda por perguntar! A Kika agora eh diabetica tambem e alem de tratamento aos rins tenho que cuidar da sua taxa de açucar no sangue, tadinha! Mas, tentarei proporcionar a ela uma vida boa, porque eh um amor e eh a minha filha-gato. Faço a festinha sim! Qualquer dia faço um video dela para que vejam como estah. Beijos!

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